- O que você irá ler neste artigo
- O que é a luxação acromioclavicular?
- Como essa lesão acontece?
- Quais são os sintomas?
- Como o diagnóstico é feito?
- Tratamentos: quando operar e quando não operar
- Reabilitação e retorno às atividades
- FAQ – Perguntas frequentes sobre luxação acromioclavicular
- Referências bibliográficas
Resumo: A luxação acromioclavicular (LAC) é uma lesão que ocorre quando os ligamentos que ligam a clavícula ao acrômio, no ombro, se rompem – total ou parcialmente. Essa separação pode causar dor, deformidade visível e dificuldade para levantar o braço. É comum em quedas sobre o ombro, especialmente em esportes de contato, ciclismo e motociclismo. O tratamento pode ser conservador (sem cirurgia) ou cirúrgico, dependendo da gravidade e das necessidades do paciente. Com o diagnóstico e acompanhamento corretos, a recuperação costuma ser excelente.
Tempo de leitura: 9 minutos
O que você irá ler neste artigo
- O que é a articulação acromioclavicular e por que ela é importante
- Como acontece a luxação acromioclavicular
- Quais são os sintomas mais comuns
- Como o ortopedista faz o diagnóstico
- Quando o tratamento é cirúrgico e quando não é
- Como funciona a reabilitação e o tempo de recuperação
- Perguntas frequentes respondidas por especialista
- Fontes científicas utilizadas
O que é a luxação acromioclavicular?
A articulação acromioclavicular (AC) é o ponto de encontro entre a clavícula (osso que vai do peito ao ombro) e o acrômio, que é uma parte da escápula (omoplata). Essa pequena articulação é sustentada por ligamentos fortes, que mantêm a clavícula no lugar e permitem que o ombro se mova livremente. Quando esses ligamentos se rompem, ocorre a luxação acromioclavicular – uma separação parcial ou total entre a clavícula e o acrômio. Dependendo do grau da lesão, a clavícula pode se elevar e ficar visível sob a pele, criando uma deformidade conhecida como o “sinal do degrau”.

Como essa lesão acontece?
A luxação acromioclavicular normalmente acontece após uma queda sobre o ombro, especialmente com o braço junto ao corpo. É muito comum em:
- Jogadores de futebol, rugby, vôlei e judô
- Ciclistas e motociclistas
- Acidentes domésticos ou quedas em escadas
O impacto causa estiramento ou ruptura dos ligamentos acromioclaviculares e coracoclaviculares, que são os responsáveis por manter o alinhamento entre a clavícula e o ombro.
Quais são os sintomas?
Os sintomas variam conforme a gravidade da lesão, mas os mais comuns incluem:
- Dor intensa no topo do ombro logo após o trauma
- Inchaço e sensibilidade local
- Dificuldade para levantar o braço ou apoiar peso
- Deformidade visível (“degrau”) na ponta da clavícula
- Sensação de instabilidade ou “soltura” no ombro
Nos casos mais leves, a dor pode diminuir após alguns dias, mas o desconforto ao movimentar o braço permanece.
Como o diagnóstico é feito?
O diagnóstico é clínico e radiológico. Na avaliação médica, o ortopedista observa a deformidade, o grau de dor e a limitação do movimento. Testes específicos, como o Cross-arm test (cruzar o braço à frente do corpo), ajudam a confirmar a suspeita. O exame mais utilizado é o raio-X, que mostra o desalinhamento entre a clavícula e o acrômio. Em alguns casos, a ressonância magnética pode ser necessária para avaliar os ligamentos e tecidos moles. A luxação acromioclavicular é classificada em seis tipos (de I a VI) de acordo com a escala de Rockwood, que considera o grau de separação e o número de ligamentos lesionados.
Tratamentos: quando operar e quando não operar
A escolha do tratamento depende da classificação da lesão, do nível de atividade do paciente e de suas expectativas funcionais.
Tratamento não cirúrgico (conservador)
É indicado para os casos leves (Tipos I e II) e, em alguns casos selecionados, Tipo III. O foco é controlar a dor, restaurar a mobilidade e permitir que os ligamentos cicatrizem naturalmente. Como é feito:
- Uso de tipoia por 1 a 3 semanas para conforto
- Aplicação de gelo e medicação analgésica/anti-inflamatória
- Início da fisioterapia logo após a fase aguda, com exercícios de mobilidade e fortalecimento progressivo
- Retorno gradual às atividades após 4 a 8 semanas
Resultados: A maioria dos pacientes tem excelente recuperação, com retorno completo das atividades em cerca de 6 a 8 semanas. Pode haver uma pequena saliência residual na clavícula, sem impacto funcional.
Tratamento cirúrgico
O tratamento cirúrgico é indicado principalmente para:
- Luxações mais graves (Tipos IV, V e VI)
- Casos Tipo III em pacientes jovens, atletas ou trabalhadores braçais
- Pacientes que mantêm dor ou instabilidade após tratamento conservador
Como é feita a cirurgia: Existem diversas técnicas, e a escolha depende do tipo de lesão e da experiência do cirurgião. As mais utilizadas incluem:
- Reconstrução anatômica dos ligamentos coracoclaviculares, usando fios de alta resistência ou enxertos de tendão.
- Fixação temporária da articulação com parafusos, placas ou botões (“TightRope” ou “Endobutton”).
- Artroscopia do ombro, em casos selecionados, permitindo uma recuperação menos dolorosa e cicatrizes menores.
Pós-operatório:
- Tipoia por 3 a 4 semanas
- Fisioterapia iniciada conforme a cicatrização
- Retorno às atividades leves após 6 a 8 semanas
- Atividades esportivas e carga total entre 3 e 6 meses
Taxa de sucesso: Mais de 90% dos pacientes retornam plenamente às suas atividades, com excelente função e estética do ombro. Complicações são raras, mas podem incluir rigidez, soltura do material de fixação ou recidiva da luxação.
Reabilitação e retorno às atividades
A reabilitação é uma parte fundamental do tratamento – tanto no método conservador quanto no cirúrgico. Ela é feita em etapas:
- Controle da dor e imobilização inicial
- Recuperação da mobilidade articular
- Fortalecimento dos músculos do ombro e escápula
- Retorno progressivo ao esporte ou trabalho
O tempo total de recuperação depende da gravidade, mas em geral varia de 2 a 6 meses. A paciência e o acompanhamento próximo do ortopedista fazem toda a diferença.
FAQ – Perguntas frequentes sobre luxação acromioclavicular
- Luxação e entorse do ombro são a mesma coisa? Não. A luxação acromioclavicular é a separação da clavícula em relação ao acrômio; já a luxação glenoumeral envolve a cabeça do úmero saindo da articulação principal do ombro.
- Toda luxação acromioclavicular precisa de cirurgia? Não. A maioria dos casos (graus I, II e muitos tipo III) é tratada sem cirurgia, com ótimos resultados.
- Como saber o grau da minha lesão? O ortopedista classifica a lesão com base no exame físico e nas radiografias, usando a escala de Rockwood (de I a VI).
- A cirurgia deixa cicatriz visível? Normalmente, a incisão é pequena e discreta, e nas técnicas artroscópicas, as cicatrizes são mínimas.
- Posso voltar a praticar esportes? Sim. Com reabilitação adequada, é possível retornar plenamente às atividades, incluindo esportes de impacto e levantamento de peso.
- Posso ter sequelas se não operar? Em alguns casos, pode permanecer uma elevação visível da clavícula, mas geralmente sem prejuízo funcional.
- A cirurgia corrige completamente a deformidade? Sim, nas luxações mais graves o alinhamento é restaurado. No entanto, uma pequena diferença estética pode persistir.
- O ombro pode voltar a “sair do lugar”? É raro, mas pode acontecer se os ligamentos não cicatrizarem bem ou se houver novo trauma.
- Qual o tempo médio de recuperação? Entre 6 semanas (lesões leves) e 6 meses (lesões graves ou operadas).
- O que posso fazer para evitar essa lesão? Fortaleça os músculos do ombro e escápula, evite quedas, use equipamentos de proteção em esportes de impacto e mantenha boa postura corporal.
Referências bibliográficas
- Beitzel, K., et al. (2013). Current concepts in acromioclavicular joint dislocations. Arthroscopy. PubMed
- Chillemi, C., et al. (2013). Epidemiology of isolated acromioclavicular joint dislocation. Journal of Orthopaedics and Traumatology. Springer
- Mazzocca, A. D., et al. (2007). Biomechanics and treatment of acromioclavicular and coracoclavicular injuries. American Journal of Sports Medicine. PubMed
- Tauber, M. (2013). Management of acute acromioclavicular joint dislocations: current concepts. Archives of Orthopaedic and Trauma Surgery. Springer
- Saccomanno, M. F., et al. (2020). Surgical management of chronic acromioclavicular dislocation: current options and new perspectives. Orthopedic Reviews. PMC
👨⚕️ Dr. Leandro Kuwae
Médico Ortopedista – Cirurgião de Ombro e Cotovelo
CRM: 31595-DF | RQE Nº: 22861


